Biografia

Allan Sieber (Porto Alegre, 1972) é artista plástico, cartunista e roteirista.

De 1999 a 2014 manteve a Toscographics Desenhos Animados, estúdio sediado no Rio de Janeiro. De 2005 a 2017 publicou as tiras “Preto no Branco” e “Bifaland, a cidade maldita” na Folha de S. Paulo.


Textos sobre Allan Sieber

O poeta mente, como disse o poeta.
Allan Sieber faz tudo parecer cruel e deprimente.
Até o vermelho e o amarelo, cuja vibração agita as fachadas de fast food e ativa nossa vontade de gastar dinheiro em gordura animal, ele consegue transformar em energia negativa.
Um alquimista que transforma pastel oleoso e aquarela em chorume.
Solidão e amargura serão suas fiéis companheiras na longa estrada da vida.
Etc.
Mas não acreditem em nada disso.
É tudo uma hábil manipulação.
Dos materiais plásticos e de nossas fraquezas.
Allan Sieber é mestre em misturar os ingredientes necessários para criar em nós esse buraco na alma, essa chaga na mente, esse desânimo visceral.
E ativar nossa necessidade de comprar fibra de celulose e pigmento.
Maldito.

Fabio Zimbres
*Texto para exposição “Racionamento de cores”, 2013


“Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou”
Sergio Sampaio

Allan Sieber virou artista. E adentra o campo da Arte munido da História (além das armas de Jorge, é claro!).

De sua História pessoal traz a intimidade com o ofício do pai – desenhista e caligrafista de propaganda em eras pré-computador ou Letraset, muito antes desta atuação ser chamada de marketing. Do convívio com esse país das maravilhas de canetinhas, papéis, penas, possibilidades, surge a paixão pela tipologia como veículo não só da palavra que serve ao pensamento, mas do grafismo que – acima de tudo – é imagem.

“Ora”, você me diria, “mas ainda estamos na linguagem do cartum”.

Caríssimo, linguagens são linguagens, apenas ferramentas – como serrotes, alicates ou chaves – que se prestam a quaisquer atividades humanas. Nesse câmbio de atuações, do cartum para a arte, o sujeito deste texto realiza mais uma operação da tal História pessoal: se joga do panteão dos ogros politicamente incorretos, persona estabelecida (e consagrada) por sua tradicional atuação profissional para cair no pântano dos comuns, expondo através de seus desenhos, pinturas e colagens a fragilidade da tal da Humanidade.

Como fatia da Humanidade, para além do pessoal, Allan produz sua obra com o que encontra pelo caminho – embalagens, velhas revistas, bulas, a banalidade material do cotidiano. Usando da permissão da História da Arte, em momentos abandona a representação para usar a coisa em si.

Ao rir dele mesmo, com alguma doçura e fluoxetina, nosso sátiro chora. E, neste momento, cuidado!!!, pois ao se expor, Allan Sieber também fala de mim.

E de você.

Claudia Hersz
janeiro de 2018